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quinta-feira, agosto 14

Uma imagem vale quantas palavras? 

Terminei o meu “post” anterior dizendo que “dá que pensar” porque, reconheço, não me lembrei de nada suficientemente interessante para dizer, embora soubesse que o tema daria pano até para a mãe de todas as mangas (bolas, não sei o que isto quer dizer, apeteceu-me).

Felizmente, a Valentina do Pegada na Areia veio em meu socorro e juntou alguns dados e reflexões importantes.

Um desses dados é estrondoso: 80% da população portuguesa tem dificuldade em analisar um texto escrito. Ou seja, a esmagadora maioria das pessoas têm dificuldade em compreender e usar uma parte substancial da informação escrita que recebe. O que significa isto na era da informação, da Internet, onde a maior parte da informação importante para a nossa compreensão do mundo nos aparece na forma de texto?

Significa que a esmagadora maioria da população se alheia da descrição pormenorizada do mundo real que nos é facultada pela escrita: na Internet, nos livros, na imprensa de referência. Significa também que, a par desse alheamento, a maior parte das pessoas prefere o mundo das imagens e do som: futebol, telenovelas da vida real ou não, concursos, revistas sobre o jet-set (que têm grandes fotografias e pouco texto) e outros entreténs visuais/sonoros. Leitura mesmo, só se for curta, poucas linhas, de preferência em fotonovelas como na Maria, de longe a publicação mais lida em Portugal.

Para que uma sociedade se desenvolva harmoniosamente, é preciso que ela compreenda o seu próprio funcionamento e o do ambiente envolvente. Voltando aos cardumes, é fundamental que os indivíduos que o formam apreendam o mundo que os rodeia, para poderem ter informação útil que os ajude a agir da maneira mais adequada. Isso implica que saibam também analisar os movimentos dos outros indivíduos, para que possam aproveitar da melhor maneira a informação que eles usaram e o tempo de análise que dedicaram quando decidiram como agir. A reacção de cada indivíduo, quando apropriada e fundamentada em boa informação, acaba por levar todo o grupo a agir melhor, tornando-se mais do que a soma das partes. Caso contrário, se a maior parte dos indivíduos não olham a realidade e não compreendem os sinais dos outros, o todo pode ser substancialmente inferior à soma das partes.

A sociedade vê, mais do que lê. Mas será que está a ver o mundo que a rodeia? Saberá reagir perante o que se aproxima?

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