<$BlogRSDUrl$>

quinta-feira, janeiro 20

(A falta dos) ossos do ofício 

Uma fábula de La Fontaine dedicada a todos os políticos e figurões que se sentem injustiçados seja lá com o que for.

Especialmente porque, em geral, não só comem as favas (sem as pagarem) e levam o dinheiro, como, ao contrário da fábula, não levam a bordoada...







Uma vez uma besta do tesouro,
Uma besta fiscal,
Ia de volta para a capital
carregada de cobre, prata e ouro;
E no caminho
Encontra-se com outra, carregada
De cevada
Que ia para o moinho.

Passa-lhe logo adiante
largo espaço
Coleando arrogante
E a cada passo
Repicando a choquilha
Que se ouvia distante.

Mas salta uma quadrilha
De ladrões
Como leões.
E qual mais presto
Se lhe agarra ao cabresto.
Ela reguinga, dá uma sacada
Já cuidando
Que desfazia o bando;
Mas coitada!
Foi tanta a bordoada,
Ah, que exclamava enfim
A besta oficial:
— Nunca imaginei tal!
«Tratada assim
«Uma besta real!
«Mas aquela que vinha atrás de mim
Porque a não tratais mal?»

— Minha amiga, cá vou no meu sossego.
« Tu tens um belo emprego.
«Tu sustentas-te a fava e eu a troços!
«Tu lá serves el-rei e eu um moleiro!
«Eu acarreto grão e tu dinheiro!
«Ossos do oficio, que o não há sem ossos.»

João de Deus, Campo de Flores

Comments: Enviar um comentário
This page is powered by Blogger. Isn't yours? Weblog Commenting by HaloScan.com